Quanto você já se adaptou para estar em algum lugar? Quantos incômodos sentiu por não se sentir pertencente? Qual o significado de se reconhecer em sua pele e identidade? Essas são algumas das perguntas que permeiam “Mudando de Pele”, montagem teatral da autora inglesa Amanda Wilkin com direção de Yara de Novaes que marca o retorno de Taís Araujo aos palcos, e é o resultado da busca da atriz por pesquisar e contar histórias originais sobre mulheres. “Estou há anos em busca de um texto que fale sobre histórias de mulheres e mulheres pretas que não passe pela questão da sobrevivência ou da dor. Mudando de Pele é uma reflexão com temas universais, que dialoga com o público em geral e com a artista que sou”, explica Taís.
Para dar vida à empreitada, a atriz buscou a direção de Yara de Novaes e da diretora assistente Ivy Souza, que trouxeram ritmo célere e formaram uma espécie de “solo coletivo” já que no palco acompanham Taís duas musicistas: Dani Nega, que também assina a direção musical, e Layla, responsável por tocar ao vivo instrumentos como a kora africana, uma harpa pouco conhecida no Brasil mas bastante utilizada pelos povos da África Ocidental. “Eu me sinto honrada em construir com a Taís esta parceria junto de outros artistas que admiro muito. Este solo parte de deslocamentos que sua protagonista nem sabia que tinha e que geram uma grande jornada”, aponta Yara.
Na montagem, Taís é Mayah, uma mulher de quase 40 anos que sente-se inconformada em ter que reproduzir acordos sociais, emocionais e identitários. Movida por um desejo de ruptura profunda, ela inicia uma travessia de autoconhecimento e transformação, que se realiza a partir do encontro com outras mulheres – uma história que, no palco, para além das músicas originais apresentadas – é também contada por meio de um figurino assinado com maestria por Teresa Nabuco, que revela o estado da personagem em camadas, primeiramente desencaixado para então “mudar de pele” na busca pela plenitude.
“Mudando de Pele” tem produção da Quintal Produções, tradução de Diego Teza, dramaturgismo de Nathália Cruz, cenografia de André Cortez, direção de movimento e colaboração artística de Cristina Moura e desenho de luz de Gabriele Souza.
Sobre Taís Araujo
Um dos nomes mais expressivos e relevantes de sua geração, Taís Araujo tem mais de 30 anos de carreira e números superlativos: são cerca de 20 obras entre novelas e minisséries, além de 13 filmes no cinema. Já o teatro ajuda a contar sua própria história desde sua estreia nos palcos em 1993. Logo na terceira peça, em 1997, encarou “Orfeu da Conceição”, de Haroldo Costa. De lá para cá esteve no elenco de 12 montagens com destaque para “O Método Grönholm”, dirigido por Luiz Antonio Pilar e “Caixa de Areia”, de autoria e direção de Jô Bilac. Em 2015, estreou “O Topo da Montanha” com direção de Lázaro Ramos. A montagem – pela qual foi indicada ao prêmio Shell de melhor atriz – ficou mais de cinco anos em cartaz e arrebatou mais de meio milhão de espectadores. “Mudando de Pele” é seu primeiro solo e é resultado da pesquisa de Taís por contar e erguer peças com valor social.
Sobre a diretora Yara de Novaes
É atriz, diretora e professora de teatro. Recebeu vários prêmios por suas atuações e direções, entre eles, APCA, Prêmio Shell, Questão de Crítica, APTR, Aplauso Brasil e Fundacen. Em 2005 formou o Grupo 3 de Teatro com Débora Falabella e Gabriel Paiva. Dirigiu diversos espetáculos, como “Tio Vania”, de Anton Tchécov (com o Grupo Galpão); “Caminho para Meca”, de Athol Fugard (com Cleyde Yáconis); “A serpente”, de Nelson Rodrigues, “A Ira de Narciso”, de Sérgio Blanco; e mais recentemente, “Mãos Trêmulas”, de Victor Nóvoa, “Teoria King Kong”, de Virginie Despentes, “Prima Facie” de Suzie Miller, com Débora Falabella, e “Lady Tempestade”, de Silvia Gomez, com Andrea Beltrão. Seus recentes projetos no audiovisual incluem as séries “Angela Diniz”, e as inéditas “Samu” e “Véspera”. No cinema, foi protagonista do filme “Malu”, de Pedro Freire, filme vencedor no Festival Sundance de Cinema.






