O Sesc RJ apresenta a exposição “Insurgências Indígenas: Arte, Memória e Resistência”, um projeto que celebra a produção artística e a resistência dos povos originários do Brasil.
Exclusivamente pensada para o Centro Cultural Sesc Quitandinha, em Petrópolis (RJ), a exposição tem curadoria da antropóloga e ativista indígena Sandra Benites, em parceria com o curador Marcelo Campos.
A mostra será inaugurada em etapas, em um formato inovador, que propiciará ao público acompanhar o desenvolvimento de algumas obras. Além disso, contará com um espaço para conversas chamado Tata Ypy, uma referência à prática cultural ancestral de reunião ao redor do fogo. Cada ação contará com artistas, pesquisadores e lideranças indígenas de diversas regiões e etnias.
Insurgências Indígenas – Arte, Memória e Resistência
Centro Cultural Sesc Quitandinha
Terça a domingo e feriados, das 10h às 16h30
Entrada gratuita
TATA YPY – O FOGO QUE NOS UNE
Inspirada nas rodas de fogueira indígenas, a exposição propõe um espaço de encontro, escuta e resistência. Tata Ypy (origem do fogo, em Guarani) simboliza o calor das histórias ancestrais, das lutas contemporâneas e da arte como ferramenta de transformação.
“É nas fogueiras que há compartilhamento e diálogo aquecido pela força e afeto. É o lugar de encontro de uma comunidade, um lugar de debate, tomadas de decisões, recontar nossas histórias e acordar memórias.” – Sandra Benites, antropóloga, ativista indígena e curadora.
Acompanhe as Tata Ype ao vivo no youtube do Sesc RJ.
ALICERCE: A TERRA É O CORPO DE TODOS NÓS
A obra Alicerce, do artista indígena Andrei Zignnatto, do povo Dofurêm Guaianá, que simboliza a resistência contra a colonização.
A instalação consiste em um labirinto de paredes de concreto — representando a modernidade e o progresso urbano — apoiado sobre vasos cerâmicos com grafismos indígenas, invertendo a lógica colonial e questionando os alicerces de um país construído sobre a marginalização dos saberes indígenas, o que o artista chama de “grilagem intelectual”.
A obra evoca a terra como um corpo feminino, fundamento espiritual, e desafia a narrativa dominante ao mostrar que os espíritos ancestrais estão sob o concreto, numa disputa pelo direito à terra e pela memória. Alicerce reflete a tensão entre ancestralidade e vida urbana, propondo uma reconstrução da história a partir da resistência indígena, onde o barro sustenta o peso do concreto, simbolicamente desafiando as estruturas opressoras.
Nascido em Jundiaí (SP), descendente de povos Tupinaky’ia e Gûarini, Andrey é reconhecido por trabalhos que fazem referência ao universo do labor. Neto de pedreiro, do qual foi ajudante quando criança, Andrey utiliza em suas obras materiais como sacos de cimento, tijolos, juntas de argamassa e fragmentos e sobras de intervenções urbanas. Sua intenção é provocar uma reflexão sobre a relação instável e dinâmica que o ser humano estabelece com o meio que o cerca.

