Sobre
Uma exposição sobre confluências, fluxos e vidas que insistem em seguir.
Reunindo obras de mais de 40 artistas sul-americanos em diálogo com saberes contemporâneos, ancestrais e ambientais.
De 28 de junho de 2026 a 28 de fevereiro de 2027
Terça a domingo e feriados – 10h às 17h
Centro Cultural Sesc Quitandinha – Petrópolis RJ
Entrada gratuita
Quando dois rios se encontram,
eles podem correr lado a lado por um tempo,
com cores e densidades distintas,
antes de de fato se combinarem.
E quando se combinam e confluem,
não perdem completamente suas origens.
A confluência, então, é esse estar junto sem deixar de ser o que se é,
uma coexistência entre mundos que não se reduzem.
Um rio não deixa de ser um rio porque conflui com outro rio,
ao contrário, ele passa a ser ele mesmo e outros rios, ele se fortalece.
A confluência é uma força que rende, que aumenta, que amplia.
A Exposição
A mostra emerge dos meandros das águas e escorre pelos fluxos da confluência. Em diálogo com a poética de Alberto Caeiro e o pensamento de Antônio Bispo do Santos, a mostra se organiza como um campo de fluxos, onde um rio corre por meio do movimento da confluência entre saberes, pessoas e temporalidades.
O título propõe uma revisão das palavras de Caeiro, ao evitar a disputa entre o Tejo e outros rios. O projeto é uma afirmação da singularidade de um rio que conflui mesmo diante das urgências ambientais que atravessam o presente: mais belo é o rio que permanece vivo, que corre, que flui.
A exposição reune obras de cerca da 40 artistas da sulamericanos em diversas linguagens, observando lugares fronteiriços, onde o curso das águas se torna também presença e continuidade na América Latina.
RECONHECENDO que os rios são essenciais para toda a vida, pois sustentam uma diversidade maravilhosa de espécies e ecossistemas, alimentando zonas úmidas e outros habitats aquáticos com água abundante, fornecendo nutrientes vitais para estuários costeiros e oceanos, transportando sedimentos para deltas de rios cheios de vida, e realizando outras funções ecológicas essenciais. CONSIDERANDO de que os rios também desempenham um papel vital no funcionamento do ciclo hidrológico da Terra, e que a viabilidade dos rios para desempenhar esse papel depende de vários fatores, incluindo a manutenção das bacias hidrográficas circundantes, várzeas e pântanos, declara que TODOS OS RIOS TÊM DIREITOS FUNDAMENTAIS estabelecidos nesta Declaração, que surgem de sua própria existência em nosso planeta compartilhado;
Declara ainda que todos os rios são ENTIDADES VIVAS que possuem situação legal em um tribunal de justiça;
Curadoria: Marcelo Campos
Assistência de Curadoria: Rodrigo Duarte
Números:
Mais de 100 obras
Mais de 40 artistas
Autores
A exposição conta com a participação e escrita de textos por autores renomados da contemporaneidade, sendo eles:
- Leda Maria Martins, autora de Perfomances do Tempo Espiralar
- Jeferson Tenório, autor de O Avesso da Pele
- Itamar Vieira Junior, autor de Torto Arado
- Marcia Kambeba, autora de Ay Kakyri Tama: Eu moro na cidade
Artistas internacionais
A exposição terá artistas e obras internacionais, reunindo diferentes territórios principalmente na América Latina, entre eles Brasil, Paraguai, Peru, Argentina, Guatemala e Guiana Francesa, mas também Líbano e Lituânia.
Artistas
Leandro Erlich
Buenos Aires, Argentina, 1973
Artista conceitual argentino que vive entre Paris, Buenos Aires e Montevidéu. Reconhecido internacionalmente, participou de importantes exposições e bienais, como Whitney (2000) e Veneza (2001), e possui obras em coleções de museus como Tate Modern e Centre Pompidou. Seu trabalho explora a percepção da realidade e a relação entre o que vemos e acreditamos, frequentemente por meio de instalações que dialogam com a arquitetura cotidiana. Realizou exposições marcantes como Liminal (2019) e retrospectivas no Brasil (2022), com grande público. Entre suas obras conhecidas estão Swimming Pool e Bâtiment. Também criou instalações públicas em cidades do mundo e recebeu prêmios relevantes, consolidando sua projeção global.
Julio Le Parc
Palmira, Argentina, 1928
Um dos principais nomes da arte óptica e cinética. Ao longo de mais de seis décadas, desenvolveu obras com luz, cor e movimento, buscando transformar a relação entre arte e sociedade. Inspirado pelo concretismo, defende uma arte participativa e democrática, na qual o público interage ativamente, tornando cada experiência única. Sua produção inclui pinturas, esculturas e instalações que exploram os limites da percepção visual. Participou de importantes bienais, como as de Paris e Havana, e realizou exposições em instituições como o Centre Pompidou e o Palais de Tokyo. Suas obras integram acervos de museus como MoMA, Tate e MAM-SP, consolidando seu reconhecimento internacional.
Alfredo Jaar
Santiago, Chile, 1956
Artista multimídia — fotógrafo, arquiteto e cineasta — que vive em Lisboa. Sua obra, amplamente exibida internacionalmente, aborda questões sociais, políticas e humanitárias. Participou de grandes eventos como as Bienais de Veneza, São Paulo e a Documenta de Kassel. Realizou exposições em importantes instituições, como New Museum (NY), Whitechapel (Londres) e Moderna Museet (Estocolmo), além de grandes retrospectivas recentes em museus na Europa, América e Ásia. Produziu mais de 70 intervenções públicas e recebeu prêmios relevantes, como Guggenheim, MacArthur, Hiroshima Art Prize e Hasselblad Award. Suas obras integram coleções de museus de destaque, como MoMA, Guggenheim, Tate e Centre Pompidou, consolidando sua projeção global.
Isabela Prado
Belo Horizonte, Minas Gerais, 1973
Artista visual formada em gravura e desenho pela UFMG, com mestrado pela Indiana University (EUA). Atua em diversas linguagens, como performance, vídeo, desenho e intervenções urbanas, com exposições no Brasil e no exterior. Lecionou na UFMG, na Indiana University e atualmente na Escola Guignard. Seu trabalho foi publicado em revistas como Chicago Art Journal e Tatuí. Participou de importantes residências artísticas internacionais, incluindo Ragdale Foundation (EUA), Shatana (Jordânia), Casa 13 (Argentina) e programas no Brasil e Palestina, consolidando sua atuação no circuito artístico contemporâneo.
Pablo Paniagua
Giruá, Rio Grande do Sul, 1976
Artista visual que vive em São Paulo e atua em múltiplas linguagens, como cerâmica, pintura, performance, instalação e publicações impressas. Sua produção cruza dimensões artísticas com perspectivas científicas, ambientais, políticas e antropológicas, abordando temas ligados à identidade. Seu trabalho incorpora referências a origens diversas — como pardo, caboclo, ibero-ameríndio e kichwa — evidenciando uma investigação contínua sobre pertencimento e cultura. Atualmente, desenvolve projetos variados, incluindo obras site specific, mantendo uma prática experimental e interdisciplinar.
Davi Jesus do Nascimento
Pirapora, Minas Gerais, 1997
Artista que se define como “barranqueiro”, criado às margens do Rio São Francisco. Sua prática parte da escuta do território, da comunidade e de dimensões simbólicas, utilizando elementos naturais e biográficos. Influenciado por sua origem ligada a lavadeiras, pescadores e barqueiros, mobiliza memórias e afetos ancestrais. Transita por diversas linguagens — desenho, pintura, fotografia, instalação e performance — abordando questões ecológicas, sociais e subjetivas. Sua obra constrói um vocabulário visual próprio, com paleta terrosa e tensões entre poesia e denúncia, espiritualidade e política.
Sebastián Gordín
Buenos Aires, Argentina, 1969
Artista que surgiu no fim dos anos 1980, destacando-se por uma produção lúdica e inventiva, centrada no “prazer da criação”. Seu trabalho conecta o refinamento artesanal a elementos da cultura popular, como em suas falsas capas de revistas inspiradas em marchetaria. Conhecido por construir cenas em miniatura, muitas vezes exibidas em vitrines, cria narrativas que combinam humor, imaginação e observação crítica da sociedade. Influenciado pelo cinema e pelo olhar infantil, suas obras abordam o cotidiano com leveza e originalidade. Exibido internacionalmente, possui obras em importantes coleções e realizou retrospectiva no Museu de Arte Moderna de Buenos Aires.
Regina José Galindo
Cidade da Guatemala, Guatemala, 1974
Artista e poeta que utiliza a performance como principal meio, explorando temas como violência social, desigualdade, racismo e gênero a partir de seu contexto local. Suas ações intensas e provocativas denunciam abusos de poder e violações de direitos humanos. Ganhou destaque internacional ao receber o Leão de Ouro na Bienal de Veneza (2005) por obras que criticam a violência e reivindicam memória e justiça. Também foi premiada com o Prêmio Príncipe Claus (2011). Participou de diversas bienais e exposições globais, consolidando-se como uma voz crítica e engajada na arte contemporânea.
Rember Yahuarcani
Pebas, Peru, 1985
Artista, escritor, curador e ativista da Nação Uitoto, na Amazônia. Sua obra se baseia na mitologia e no pensamento uitoto, combinados a técnicas da arte ocidental. Ao longo da carreira, evoluiu para pinturas oníricas e paisagens líricas em grande escala, marcadas por cores vibrantes e traços delicados. Suas imagens retratam seres da floresta — humanos, animais e espíritos — como interconectados, valorizando saberes ancestrais e perspectivas não ocidentais. Ao mesmo tempo, suas obras abordam tensões contemporâneas, como mineração ilegal, tráfico e extrativismo, destacando a resistência cultural e espiritual de sua comunidade.
Marcelo Moschetta
São José do Rio Preto, São Paulo, 1976
Artista visual e pesquisador que vive em Coimbra, onde realiza doutorado em Arte Contemporânea. Formado e mestre pela UNICAMP, sua prática investiga as relações entre ser humano e ambiente, abordando temas como território, paisagem, memória, deslocamento e nomadismo. Seu trabalho combina pesquisa conceitual e experiências em residências artísticas, explorando paisagens e contextos culturais diversos. Participou de exposições no Brasil e no exterior e recebeu prêmios como o Pipa e a bolsa Pollock-Krasner. Suas obras integram coleções internacionais e ele é representado por importantes galerias.
Amélia Toledo
São Paulo, São Paulo, 1926
Artista brasileira de produção multifacetada, atuando em escultura, pintura e gravura. Formada em contato com nomes como Anita Malfatti, desenvolveu uma obra experimental que transitou do construtivismo para o interesse pelas formas da natureza a partir dos anos 1970, incorporando materiais como pedras e conchas. Sua pesquisa explora cor, matéria e paisagem, com inclinações à monocromia. Participou de importantes exposições no Brasil e no exterior, incluindo bienais e mostras em museus como MASP e Pinacoteca. Sua obra integra relevantes coleções institucionais, consolidando sua importância na arte brasileira contemporânea.
Elena Damiani
Lima, Peru, 1979
Artista que investiga geologia, arqueologia e cartografia por meio de diversas técnicas. Seu trabalho reinterpreta processos naturais como espaços ambíguos onde diferentes tempos e territórios se sobrepõem. A partir de materiais como livros, fotos e registros, que descontextualiza e recompõe, explora a construção e manipulação da informação cultural. Sua prática transita entre ciência e ficção, passado e presente, articulando dimensões pessoais e coletivas. Participou de importantes exposições individuais e bienais internacionais, além de mostras em instituições como MoMA e museus na América, Europa e Ásia, consolidando sua presença no circuito contemporâneo.
Feliciano Centurión
San Ignacio de las Missiones, Paraguai, 1962
Foi um artista central na cena de Buenos Aires nos anos 1990, explorando subjetividade com referências à cultura popular e ao cotidiano. Sua obra destaca o uso de tecidos, bordado e crochê — linguagens tradicionalmente femininas — em objetos como cobertores e almofadas, conectando memória, afeto e identidade. Incorporava elementos da cultura paraguaia, da iconografia cristã e da natureza, refletindo suas raízes guarani. Após ser diagnosticado com HIV, passou a abordar a doença e a fragilidade humana em trabalhos íntimos. Apesar da carreira breve, deixou uma produção sensível e significativa, com obras que incorporam objetos cotidianos e estampas decorativas de designs pré-existentes.
Rafaela Kennedy
Manaus, Amazonas, 1997
Artista que atua em fotografia e performance, investigando as relações entre corpo, território e imagem sob uma perspectiva crítica da colonialidade. Sua pesquisa articula travestilidade, ancestralidade indígena e negra e questões ecológicas, conectando experiências amazônicas e urbanas. Seu trabalho questiona narrativas que naturalizam a exploração ambiental e a violência contra corpos dissidentes, apresentando o corpo travesti como presença política. Suas obras operam mais como ficção e construção simbólica do que como registro documental, criando imagens onde política, memória, afeto e espiritualidade se entrelaçam para propor novas possibilidades de futuro.
Laryssa Machada
Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1993
Artista visual, fotógrafa e filmmaker que investiga a construção de imagens como prática de descolonização e criação de novas narrativas. Com formação em jornalismo, Ciências Sociais e Artes, aborda representações de pessoas LGBTQIA+, indígenas e populações marginalizadas. Sua produção combina fotografia documental e ficção, criando imagens que transitam entre performance e registro cotidiano. Em seus percursos pelo Brasil, constrói redes afetivas com seus retratados, explorando temas como identidade, território e afeto, como na série Antes de você me amar, ela já estava me amando.
Sandra Gamarra
Lima, Peru, 1972
Artista que investiga criticamente os mecanismos do mundo da arte, como produção, exposição e circulação, utilizando-os para refletir sobre a construção da realidade. Seu trabalho explora conceitos como ficção, tradução e apropriação, revelando como esses elementos moldam nossa percepção cultural. Ao subverter ideias de autoria e originalidade, cria obras que questionam o papel do espectador e das instituições. Influenciada por sua herança peruana, combina referências pré-colombianas, coloniais e ocidentais. Em 2002, fundou o LiMac, um museu fictício que ironiza a ausência de instituições de arte contemporânea em Lima.
Alessandro Fracta
Manaus, Amazonas, 1997
Artista que atua entre o Amazonas e o Rio de Janeiro, investigando relações entre corpo, matéria e território. Sua prática utiliza a fibra de juta em bordados, instalações, esculturas e fotoperformances, com ênfase na fotografia analógica. Inspirado pelo rio Miriti, incorpora saberes ancestrais e memórias fluviais em sua obra. Participou de residências artísticas e foi convidado para a II Bienal das Amazônias (2025). Exibiu trabalhos em importantes instituições no Brasil, como CCBB e Galeria Nara Roesler, consolidando sua presença na cena contemporânea.
Gervane de Paula
Cuiabá, Mato Grosso, 1961
Pintor e agitador cultural cuja obra dialoga diretamente com os ecossistemas do cerrado, floresta e pantanal. Atuando em múltiplas linguagens — pintura, desenho, performance, vídeo e instalação —, incorpora referências da cultura popular, de massa e religiosa. Seu trabalho, frequentemente irônico e sarcástico, aborda violências urbanas e questões sociais a partir do contexto local, ampliando para reflexões globais. Com trajetória consolidada, participou de diversas exposições no Brasil e no exterior, destacando-se recentemente com mostra individual na Pinacoteca de São Paulo e participações em importantes exposições coletivas.
Ayrson Heráclito
Macaúbas, Bahia, 1968
Artista e pesquisador cuja obra investiga a cultura afro-brasileira por meio de sistemas simbólicos ligados à diáspora africana. Utiliza materiais como açúcar, carne de charque e azeite de dendê para refletir sobre o corpo afro-diaspórico, marcado pela violência da escravidão e pela resistência histórica. Sua produção, que inclui performance, fotografia, instalação e vídeo, aborda memória, ancestralidade e desigualdade social. Também é professor e curador, com trajetória consolidada em exposições internacionais, como a Bienal de Veneza, e em importantes instituições no Brasil e no exterior.
Nathyfa Michel
La Reunión, Guiana Francesa, 1994
Fotógrafa caribenha nascida na Ilha de Reunião, com vivência entre França e Guiana Francesa. Sua trajetória, marcada por deslocamentos, orienta uma pesquisa centrada em identidade, mestiçagem e experiências diaspóricas. Autodidata, trabalha com fotografia, arquivos, escrita e colagem para explorar memórias pessoais e coletivas em contextos pós-coloniais. Sua obra propõe um “lar” reconstruído por meio de uma imaginação híbrida e múltipla. Participou de residências e exposições internacionais, como o Off da Bienal de Dakar e o WOPHA em Miami, além de receber apoio para seus projetos autorais.
Carlos Alfonso
Colômbia
Artista colombiano que atua com múltiplas linguagens, como escultura, audiovisual, culinária, desenho, performance e práticas editoriais, criando situações que buscam dar forma à poesia. Seu trabalho envolve o público como participante ativo e explora narrativas em formato de ensaio, combinando abstração e concretude. A partir de processos colaborativos, investiga relações entre território, memória e construção coletiva, incorporando conceitos como cocriação e hospitalidade. Seu interesse pela antropologia da alimentação gera encontros que conectam oralidade, afeto e troca de saberes. Com formação em design e artes, participou de exposições e residências internacionais, consolidando uma prática interdisciplinar e relacional.
Alana Barbo
Artista transdisciplinar, arte-educadora e herbalista formada pela UFBA. Sua prática integra artes visuais, audiovisual, performance, literatura e agricultura regenerativa para investigar temas como ancestralidade, memória e identidade afro-indígena. Seu trabalho conecta cultura e natureza, abordando processos ligados à terra, como fertilidade, desertificação e imaginário, criando narrativas que refletem sobre tradições, espiritualidade e relações entre corpo, território e história.
Raphael Alves
Manaus, Amazonas, 1982
Fotógrafo e fotojornalista com formação no Brasil e no Reino Unido, incluindo mestrado em Fotojornalismo pela London College of Communication. Sua obra investiga a relação entre o ser humano, a natureza e o espaço urbano na Amazônia. Atuou como repórter fotográfico para veículos nacionais e internacionais e integra o projeto Everyday Brasil. Seu trabalho recebeu diversos prêmios, como o Leica X Photo Contest (2014), POY Latam (2017 e 2021) e reconhecimentos no Pictures of the Year International e Sony World Photography Awards, consolidando sua relevância na fotografia contemporânea.
Carlos Papá
São Sebastião, São Paulo, 1970
Conhecido como Papá Mirim Poty, é cineasta e líder espiritual do povo Guarani Mbya. Atua há mais de 20 anos com audiovisual, produzindo documentários, filmes e oficinas culturais voltadas aos jovens, com o objetivo de fortalecer e valorizar a cultura guarani. Vive na Terra Indígena Rio Silveira, onde participa ativamente das decisões comunitárias. É presidente do Instituto Guarani da Mata Atlântica (Iguama), fundador e conselheiro do Instituto Maracá, além de representante regional na Comissão Guarani Yvy Rupa, contribuindo para a preservação cultural e o desenvolvimento de sua comunidade.
Genor Sales
Goiânia, Goiás, 1984
Artista visual e educador que investiga, a partir de vivências periféricas, temas como deslocamento, pertencimento, memória, música e território. Utiliza principalmente a aquarela, relacionando sua fluidez às questões sociais, raciais e alimentares que aborda. Integrante do projeto Jatobá Nascente (Sertão Negro), desenvolve uma poética marcada pela metáfora do “peixe fora d’água”. Com formação em Artes Visuais pela UFG, participou de exposições e residências no Brasil e no exterior, incluindo a Bienal de São Paulo (2025) e eventos internacionais. Foi indicado ao Prêmio PIPA (2025) e vem consolidando sua atuação na arte contemporânea.
Jaider Esbell
Normandia, Roraima, 1979
Do povo Macuxi, foi artista multimídia, curador e articulador cultural. Sua obra integra desenhos, pinturas, performances, vídeos e textos, inspirados na cosmovisão indígena, nas narrativas míticas e na vida amazônica. Definia sua prática como “artivismo”, combinando arte, política, espiritualidade, ecologia e ancestralidade. Desenvolveu conceitos como o txaísmo, voltado a relações interculturais e protagonismo indígena. Atuou também como educador e incentivador de artistas indígenas, promovendo ações em comunidades e criando uma galeria de arte indígena em Boa Vista. Participou de exposições no Brasil e no exterior, incluindo a Bienal de São Paulo, destacando-se na cena contemporânea decolonial.
Xadalu Tupã Jekupé
Alegrete, Rio Grande do Sul, 1985
Artista indígena Guarani cuja obra investiga o Barroco Missioneiro em diálogo com a contemporaneidade. Sua prática aborda memória, espiritualidade e resistência, confrontando o apagamento histórico dos povos indígenas no sul do Brasil. Por meio de exposições, pesquisas e residências internacionais, articula narrativas que unem mito, ritual e crítica à colonialidade. Seu trabalho amplia o protagonismo indígena nas artes, com destaque para mostras no Brasil e no exterior, além de prêmios e participações relevantes, como a Bienal de São Paulo e projetos internacionais.
Emilija Škarnulytė
Lituânia, 1987
Artista e cineasta que trabalha entre documentário e imaginação, explorando relações entre humano, ecologia e cosmos. Sua produção inclui filmes, instalações e mídias imersivas que investigam o “tempo profundo”, abordando eras geológicas, paisagens extremas e futuros pós-humanos. Frequentemente retrata locais inacessíveis, como usinas nucleares e ambientes submarinos, assumindo a perspectiva de uma “arqueóloga do futuro”. Sua obra combina poética e análise para refletir sobre poder, memória e territórios invisíveis. Exibiu em instituições como Tate e MoMA PS1, participou de bienais internacionais e recebeu prêmios como o Future Generation Art Prize (2019).
Walid Raad
Chbaniyeh, Lebanon, 1967
Artista que trabalha com instalação, performance, vídeo e fotografia para investigar os impactos da violência histórica sobre corpos, memória e cultura. É conhecido pelo projeto The Atlas Group, dedicado à história contemporânea do Líbano. Participou de grandes exposições internacionais, como Documenta, Bienais de Veneza, Istambul e Whitney. Realizou mostras individuais em instituições como MoMA, Reina Sofía e Whitechapel. Sua obra integra importantes coleções, como as do Whitney Museum, Centre Pompidou e Stedelijk Museum, consolidando sua relevância na arte contemporânea global.
Caio Reisenwitz
São Paulo, São Paulo, 1967
Fotógrafo brasileiro de destaque desde os anos 1990, conhecido pelo uso de câmeras de grande formato e pela influência de fotógrafos do século XIX, como Marc Ferrez. Sua obra aborda a relação entre arquitetura urbana e natureza, especialmente os conflitos entre desenvolvimento e meio ambiente. A partir de 2009, passou a incorporar colagens em suas imagens. Participou de importantes bienais, como São Paulo (2004) e Veneza (2005), e expôs em instituições internacionais. Suas obras integram coleções relevantes e ele também publicou livros como Parece verdade e Água escondida.
Carybé
Lanús, Argentina, 1911
Nascido na Argentina e naturalizado brasileiro, foi um artista multifacetado que atuou como pintor, gravador, ilustrador, muralista e ceramista. Iniciou sua formação ainda jovem e viajou pela América do Sul, desenvolvendo forte interesse pela cultura latino-americana. Estabeleceu-se em Salvador nos anos 1950, onde teve papel importante na renovação das artes plásticas, dialogando com artistas locais. Sua obra é profundamente ligada à cultura baiana e afro-brasileira, tendo também ilustrado livros de autores como Jorge Amado e Gabriel García Márquez. Publicou estudos sobre o candomblé e consolidou uma produção marcante na arte brasileira.
Carlos Cruz-Diez
Caracas, Venezuela, 1923
Artista fundamental da arte cinética e da investigação da cor. Sua trajetória evoluiu do realismo social para pesquisas sobre a percepção cromática, explorando o movimento e a interação entre luz e cor. Desenvolveu séries marcantes como *Fisiocromías* e *Cromosaturación*, que investigam a cor como fenômeno autônomo. Atuou também como professor e participou de importantes exposições, incluindo diversas Bienais de São Paulo. Com carreira internacional consolidada, expôs em instituições relevantes e contribuiu significativamente para a arte contemporânea, tornando-se referência no estudo experimental da cor.
Ana Maria Tavares
Belo Horizonte, Minas Gerais, 1958
Artista e pesquisadora com formação no Brasil e nos EUA, destacando-se por uma produção que articula arte, arquitetura e crítica ao modernismo. Sua obra investiga a natureza tropical e o ambiente construído como construções ideológicas, abordando suas implicações políticas, sociais e econômicas. Utiliza diferentes linguagens e materiais, mesclando técnicas industriais e artesanais para questionar temas como progresso, identidade, gênero e raça. Participou de importantes bienais internacionais e exposições no Brasil e no exterior, com obras presentes em acervos relevantes. Também atuou como professora e pesquisadora na USP, consolidando sua influência na arte contemporânea.
Felix Gonzalez-Torres
Guáimaro, Cuba, 1957
Artista cubano radicado nos EUA, destacou-se por obras conceituais que abordam temas como amor, perda, memória e política. Formado em arte e fotografia, integrou o coletivo Group Material e ganhou reconhecimento internacional nos anos 1990. Sua produção inclui instalações minimalistas com materiais cotidianos, como cortinas de contas, fios de lâmpadas e pilhas de objetos, frequentemente abertas à interação do público. Obras como *Untitled (Chemo)* e *Untitled (Blood)* relacionam estética e questões como a AIDS, tema central em sua trajetória. Seu trabalho combina simplicidade formal e forte carga emocional, desafiando limites entre público e privado. É considerado uma figura importante da arte contemporânea.
Joaquín Pedretti
Argentina
Cineasta argentino nascido em Corrientes, com formação em cinematografia, direção e roteiro em centros na Argentina, Espanha e Reino Unido. Sua trajetória inclui estudos e práticas em diversas linguagens artísticas, como escrita, teatro e música. Como diretor, realizou mais de vinte obras de diferentes gêneros e formatos, atuando internacionalmente. Atualmente, trabalha como autor independente, roteirista e professor de linguagem cinematográfica na Universidad Nacional del Nordeste, desenvolvendo uma prática voltada à criação audiovisual e ao ensino.
Julia Isidrez
Itá, Paraguai, 1967
Ceramista que mantém e reinventa tradições pré-colombianas herdadas de sua mãe, Juana Marta Rodas. Utilizando técnicas guaranis totalmente manuais, constrói peças com forte ligação à cultura ancestral e ao fazer artesanal. Desde jovem destacou-se por sua própria produção, conquistando reconhecimento no Paraguai e internacionalmente. Sua obra valoriza a memória, o conhecimento transmitido entre gerações e a identidade cultural. Atualmente, vive em Itá, onde sua casa foi transformada em museu, dedicando-se à criação e ao ensino dessas técnicas.
Josefina Plá
Paraguai
María Josefina Teodora Plá Guerra Galvany foi uma poetisa, dramaturga, jornalista, crítica de arte, escultora, ceramista e historiadora espanhola-paraguaia, natural das Ilhas Canárias. Naturalizada no Paraguai, ela é reconhecida por elencar as mulheres como protagonistas da História do Paraguai.
Oswaldo Salerno
Assunção, Paraguai, 1952
Arquiteto, gravador, designer, curador e museógrafo, além de cofundador e diretor do Museo del Barro, em Assunção. Formado em Arquitetura, estudou também gravura na Argentina e ilustração na Espanha. Desde 1974 realiza exposições individuais no Paraguai e no exterior e participou de importantes eventos como a Bienal do Mercosul e a Trienal do Chile. Suas obras integram coleções internacionais. Atua como museógrafo do Archivo del Terror e já foi diretor de Patrimônio Cultural no Paraguai, contribuindo para a preservação da memória histórica e cultural.
FAYGA OSTROWER
ROLAND URBINATIS
MARCELO VALLS
KEILA SANKOFA
CILDO MEIRELES
KATIE VON SCHEPENBERG
FELIPE VARANDA
Festival Sesc de Inverno 2026
A Exposição “Mais belo é o Rio que Corre” faz parte da programação do Festival Sesc de Inverno 2026, que em sua 24ª edição, escolhe afluir.
Afluir é movimento. É encontro. É a força dos rios que se cruzam, compartilham caminhos e transformam a paisagem por onde passam.

